Como potencializar o marketing jurídico
No mundo da comunicação jurídica, a produção de conteúdo deixou de ser uma opção. Hoje é uma necessidade. Mais do que manter uma presença digital, escritórios e profissionais do Direito precisam oferecer algo relevante. Não adianta falar o que todo mundo já disse. A pergunta é: por que alguém leria você e não o outro?
O valor do conteúdo está diretamente ligado à sua capacidade de responder a uma dúvida real, antecipar uma dor, esclarecer um ponto obscuro da legislação ou contextualizar uma decisão judicial. E isso precisa ser feito de forma acessível, sem jargões desnecessários, com linguagem clara e foco na utilidade.
O que é um conteúdo valioso
Conteúdo valioso é aquele que entrega algo que seu leitor, cliente ou prospect realmente precisa. Pode ser um guia explicando a aplicação de uma nova norma, um artigo conectando um tema jurídico a um fato recente, uma análise que facilita uma decisão de negócio.
Para escritórios de advocacia, isso significa pensar como seu cliente. O que ele está tentando entender? Quais são suas inseguranças? Como você pode ser útil sem parecer vendedor? Esse é o caminho.
Exemplos:
- Um resumo didático sobre a nova versão do eSocial e seus impactos em processos trabalhistas.
- Um e-book com boas práticas de compliance para startups.
- Um infográfico com os principais prazos da LGPD.
O Provimento 205/2021 da OAB reconhece a possibilidade de divulgação de conteúdo informativo, educativo e de orientação jurídica. Isso significa que, desde que respeitados os limites éticos, você pode (e deve) se comunicar de forma ativa. O conteúdo passou a ser uma ponte autorizada entre advogados e sociedade.
Conteúdo de valor agregado: o diferencial
Valor agregado é o próximo nível. Trata-se de ir além do óbvio. É quando você oferece algo exclusivo, original, que o leitor não encontraria facilmente em outro lugar. Pode ser um estudo de caso, uma opinião fundamentada, um cruzamento inédito de dados.
Esse tipo de conteúdo é mais lembrado, compartilhado e usado como referência. No marketing jurídico, é o que diferencia um especialista de um replicador.
Formatos diversos, pessoas diferentes
As pessoas não aprendem do mesmo jeito. Algumas preferem ler, outras assistir ou ouvir. Por isso, variar o formato não é apenas uma estratégia de marketing, é respeito à diversidade de consumo de informação.
Algumas possibilidades:
- Artigos e blog posts: ideais para detalhar temas e melhorar o ranqueamento no Google.
- Vídeos curtos: ótimos para redes sociais. Um advogado explicando, em 1 minuto, o que muda com uma decisão do STF é mais eficaz do que um PDF de 12 páginas.
- Infográficos: simplificam o que é complexo. Um exemplo é um fluxograma com as etapas de um processo de aquisição societária.
- Newsletters: curadorias que entregam valor em forma de seleção.
- Webinars e podcasts: conteúdo aprofundado, ideal para fidelizar uma audiência.
A escolha do formato deve levar em conta o perfil do seu público, os recursos disponíveis e o objetivo da comunicação.
Como estruturar uma boa estratégia
- Conheça seu público. De verdade. Converse, pesquise, entenda as dores reais. Criar personas ajuda, mas conversar com clientes é melhor ainda.
- Defina os canais certos. Não adianta fazer vídeos incríveis se seu público está no LinkedIn lendo artigos. O contrário também vale.
- Monte um cronograma realista. Constância é mais importante que intensidade. Melhor postar quinzenalmente com qualidade do que sumir por meses.
- Meça e ajuste. Veja o que engaja, o que é lido, o que gera retorno. Use esses dados para ajustar sua rota.
- Seja autoral. Reproduzir notícias ou publicar informativos sem opinião não agrega valor. Diga o que você pensa, fundamente com sua experiência.
Exemplos de conteúdo de valor agregado na prática
- Postagens de blog: respondem a dúvidas reais. Ex: “O que é uma recuperação extrajudicial e quando faz sentido considerar essa estratégia?”
- Vídeos: um advogado trabalhista comentando o impacto de uma decisão do TST em linguagem simples.
- E-books: aprofundamento temático. Um guia de LGPD para empresas do setor de saúde, por exemplo.
- Estudos de caso: sem expor clientes, é possível mostrar como você atuou em situações concretas.
- Webinars: convide especialistas para discutir um tema relevante. Grave e transforme o conteúdo em clips para redes.
Por que isso funciona?
Porque o cliente moderno não quer só contratar um advogado. Ele quer se sentir seguro de que está tomando uma boa decisão. O conteúdo é a forma mais acessível de construir essa percepção.
E mais: bons conteúdos melhoram seu desempenho no Google, fortalecem seu posicionamento de marca e ainda educam o mercado. Não é apenas comunicação. É estratégia de negócio.
Produzir conteúdo de valor exige atenção, empatia e consistência. No marketing jurídico, é a chave para se destacar e, mais importante, conectar com as pessoas certas.
“Conteúdo bom é aquele que resolve um problema real e deixa o leitor mais seguro para agir”.